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Jesus não ensinou uma religião

Religião não se contesta, mas se respeita. É assunto que não vale a pena discutir. Cada um tem a religião que merece e, historicamente, polêmicas desse tipo motivaram muitos crimes terríveis e produziram muitos conflitos tenebrosos, cujo exemplo maior é a guerra entre árabes e judeus, que começou há cinco mil anos e ninguém pode prever quando acabará.
Cristo não tinha religião organizada, como as conhecemos hoje. Ele simplesmente recomendou que amemos ao Pai e uns aos outros, assim como Ele nos amou. Foram os homens, seres falíveis, que se organizaram em religiões, interpretando de acordo com seus pontos de vista esse único ensinamento do Mestre.

Então não devemos combater aqueles que, em nome de Deus, pensam diferente de nós? Jesus disse que não. Quem duvida é porque não se deteve no Evangelho de Marcos, 19, 34 a 37, e no Evangelho de Lucas, 4, 49 e 50. Ali, está escrito que João Evangelista foi reclamar ao Mestre haver encontrado um homem que expulsava demônios sem pertencer ao rol dos escolhidos para seus apóstolos ou discípulos. João Evangelista queria proibi-lo de assim proceder, mas Jesus lhe disse:
“Não lho proibais, porque ninguém há que faça milagres em meu nome e possa logo falar mal de mim. Porque quem não é contra nós é por nós. Porque qualquer que vos der de beber um copo d'água em meu nome, porque sois discípulos do Cristo, em verdade vos digo que não perderá seu galardão”.


Um exame sincero desta passagem evangélica deixa claro que Jesus exige a prática do amor e não o rótulo de religião, porque quem não é contra nós é por nós. O essencial, pois, é nos esforçarmos para sermos bom, daí o conceito kardecista número um: fora da caridade não há salvação.


Prevalecerão as religiões que tiverem as melhores idéias. Recentemente, esteve em Goiânia, Nehemias Merien, um pastor protestante perseguido por ser ecumênico a ponto de não ter medo de se proclamar reencarnacionista e médium. Ser reencarnacionista é uma concepção pessoal, e adeptos de muitas religiões diferentes o são sem ver nisso a necessidade de proclamação pública. Já ser médium não depende da pessoa querer. Mediunidade é uma faculdade orgânica, quer dizer, do próprio organismo humano. A mediunidade permite a alguém, de alguma forma, comunicar-se com o mundo espiritual. O médium nasce médium. Pode professar qualquer religião ou, até mesmo, não ter religião e continuar médium.


Presbiteriano, Nehemias Marien apresenta particularidades muito interessantes. Os presbiterianos compõem um dos ramos mais respeitáveis do protestantismo, e ele, vem de uma família de missionários que trabalharam na evangelização, nos sertões de Mato Grosso e na região de Formosa, em Goiás. É pastor há mais de 44 anos e, há 27 anos, titular da Igreja Presbiteriana Bethesda, em Copacabana, Rio de Janeiro. Sua visão religiosa é holística, pluralista e liberal, favorecedora do diálogo inter-religioso. Seus conhecimentos bíblicos são indiscutíveis. Doutor em Teologia e Ciências Bíblicas, já viveu e pregou na Inglaterra e na França. Durante meses, a televisão o mostrou, no programa de Jota Silvestre, respondendo com extraordinário acerto perguntas as mais difíceis sobre a Bíblia.


Nehemias Marien considera Jesus o perfeito médium de Deus e a Bíblia a obra mediúnica mais antiga do mundo, onde a reencarnação é ensinada e confirmada. São suas palavras textuais: “é o Espiritismo o mais caudaloso afluente do Cristianismo”.
Ele tem a coragem de afirmar, para quem quiser ouvir e publicar, que admira os espíritas especialmente por suas idéias, explicando:
—  Digo isso porque sou uma pessoa estudiosa, aberta. Não me deixo cercar por muros de espécie alguma.

 

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Edição 11 

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