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O Valor da Comunicação

A fala é um dos maiores talentos que dispomos para evoluir. Infelizmente, o homem ainda não despertou para a sua importância e, levianamente, a tem usado para gerar conflitos, desavenças, etc. Na estória a seguir, adaptamos um texto de autor desconhecido, que mostra de forma bem humorada as dificuldades da comunicação na saga de um homem simples, do campo, que vai à cidade em busca de empréstimo bancário. Divirta-se e reflita.

— Eu queria falar com o gerente.
— Pois não Senhor, em que posso ser útil?
— Eu preciso de um dinheiro emprestado. Será que o seu banco me arranja?
— Depende, cavalheiro. Há certas formalidades. Por exemplo: o senhor já tem cadastro aqui no banco?
— Se eu tenho o que? Padrasto? É um padrinho, um pistolão?
— Não, meu senhor.  Perguntei apenas se já tem ficha aqui.
— Ah, ficha! Não senhor. Mas no mês passado fui operado de hérnia, lá no hospital e me fizeram uma ficha bonita toda cheia de gráficos e nomes de remédios. Será que o senhor podia aproveitar ela pra gente ganhar tempo? Além do mais eu não estou doente agora, não teria assunto pra outra ficha.
— Não precisamos saber de suas doenças. O que nos interessa é a situação financeira. Por exemplo: qual é o seu patrimônio líquido?
— Olha moço, pra falar a verdade quase todo o meu patrimônio é sólido: terras, casas e uns boizinhos. De líquido mesmo só a represa da fazenda e uns garrafões de pinga do tempo que meu engenho funcionava.
— Vamos tentar diferente. O senhor já operou em algum banco da praça?
— Claro que eu nunca operei. Não sou médico. Só se a agente considerar operação as vezes que capei meus leitões. Mas eu fiz isso lá curral mesmo. Vê se eu ia trazer meus bichos pra operar no banco da praça.
— Não se trata disso. O senhor já é mutuário de nossas carteiras?
— Que negócio é esse? Então o senhor me acha com cara de camelô pra ser mostruário de carteira?
— Eu disse “mutuário” e não mostruário, meu senhor. Em qual de nossas carteiras o senhor já tem experiência?
— Só faltava essa! Em vez de camelô agora o senhor diz que sou batedor de carteira e até que tenho experiência nas carteiras do pessoal aqui do banco! 
— Pelo que deduzi o senhor está precisando de capital de giro.
— E eu lá quero saber de giro pela capital, moço! Estou muito bem lá no interior. O que eu preciso é de um dinheirinho emprestado. Só isso.
— Justamente o que eu falei. O senhor quer levantar um numerário.
— Eu não quero levantar nada. Não posso. Depois da operação de hérnia o médico me proibiu de fazer qualquer esforço, quanto mais levantar esse tal de numerário que eu nem sei quanto pesa! Eu preciso é de dinheiro.
— Em qual modalidade de financiamento o senhor quer se enquadrar?
— Moço, pelo amor de Deus, como é que se diz: “UM DINHEIRINHO EMPRESTADO”, nessa língua que o senhor tá falando?
— Para que o banco lhe empreste dinheiro é preciso que o senhor retribua com reciprocidade.
— Reciprocique?
— Reciprocidade. É preciso que o senhor mantenha depositado aqui no banco um saldo compatível com o financiamento pretendido.
— Peraí. Se eu estou precisando de dinheiro, como é que ainda vou arranjar algum pro seu banco? Afinal, é o banco que vai me emprestar dinheiro, ou sou eu que vou emprestar pra ele? Eu vou é embora moço.
— Se o senhor prefere assim...
— Moço, depois dê uma chegadinha lá na fazenda pra experimentar uns goles do meu “patrimônio líquido”, garanto que a gente vai se entender melhor.

 

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Edição 11 

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